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* O PÉRIPLO DO VELEIRO BRIES

O périplo do veleiro Bries, um Van der Stadt 27'. Sem piloto automático ou leme de vento.

Na foto abaixo eu e o Seu Chico Marinheiro que foi meu Piloto na Ida do Rio Grande Para Pelotas. " o Canal da Feitoria não é facil de navegar, tem que ser bom mesmo" E ninguem melhor que o Seu Chico no comando.




O Bries foi comprado em Buenos Ayres em abril de 2005 por mim. Comecei a viagem com destino a Camboriú no mes de maio na companhia de Gustavo Toniolo (marinheiro que todos gostariam de ter a bordo, apesar de não ser capaz de fazer um nó decente). Saímos do San Fernando Yacht Club numa sexta-feira ao meio dia com ventos leves do quadrante SSW e com previsão da meteorologia de continuar assim. 

Três horas depois foi expedido boletim com aviso de tormenta e imediatamente nos pegou um Pampeiro de 40 nós pela alheta de BE. Foi dureza enfrentar o tamanho das ondas e o frio intenso. Só com a grande no segundo rizo. Queria ir pro terceiro, mas estava muito cansado prá esta faina e não quis arriscar pedir pro Gustavo fazer devido à sua falta de experiência. O Bries fazendo jus à sua fama de barco duro e valente. 

O Gustavo compensando sua falta de experiência com todas as outras qualidades que se espera de um bom marinheiro. Entramos no porto de Montevidéu as 11 horas do sábado levando esporro das autoridades portuárias por não se tratar de um porto recreativo e não dispor de facilidades para embarcações de esporte e recreio. Consegui (com a ajuda fantástica da capitania dos portos-prefectura naval) abrigo no costado de um camaroeiro coreano preso lá por pesca ilegal em águas uruguaias. Aí passamos a noite de sábado e o domingo seguinte quando fomos avaliar os estragos. 

Vela grande rasgada no ilhós do segundo rizo e a retranca rachada bem junto ao garlindéu. Consertamos a vela com silver tape e serramos a extremidade rachada da retranca (coisa de 10 cm).

Partimos as 11 horas da segunda -feira com a intenção de fazer escala em La Paloma e novamente o frio de matar nos fez decidir por entrar em Punta del Este onde chegamos as 03 horas da matina de terça-feira.
Após fazer os cálculos de navegação (no mínimo, duas noites de muito frio) decidí deixar o Bries em Punta e esperar a proximidade do verão para seguir viagem. Fomos prá casa de ônibus, eu prá Capão da Canoa-RS e o Gustavo prá Porto Alegre.

Em janeiro 2006 retornamos, eu e Gustavo, a Punta del Este e recomeçamos a navegada com destino a Rio Grande, desta vez na companhia do Hugo. 

Saímos de Punta as 12 horas do dia 23/01/06 com vento leve de NNE. Ao passar a Punta José Inácio caímos numa corrente contra de aproximadamente 2 nós e como o vento estava muito leve, praticamente nos arrastávamos com velocidade real de 1 nó.

E o Hugo mareado. O vento de superfície parou total. Resolvi botar o vento de porão a funcionar e o velho Albin de 8 hp começou a empurrar o Bries. Tive que dar uma forçadinha no velhinho e depois de 7 horas ele cansou e parou total. E a corrente começou a nos empurrar de volta. Voltamos umas 4 milhas até que entrou uma brisinha e conseguimos entrar em La Paloma as 13 horas do dia 24. Primeiro recorde do Bries: 52 milhas em 25 horas.

Chamamos mecânico e sacamos o Albin fora que depois de aberto mostrou uma rachadura vertical no pistão. Resultado: só mandando prá Montevidéu e fabricar um pistão novo (15 dias prá fazer a coisa), o que foi feito. Gustavo e Hugo voltaram prá casa e eu fiquei em La Paloma aproveitando o tempo prá fazer umas melhorazinhas no Bries. Na faina de saca motor, leva prá Montevidéu, volta de lá, se perdeu o platinado do magneto. Aí começou uma busca desgraçada por uma coisa que não é fabricada há uns 35 anos. 

A Bosch brasileira e uruguaia não tinham como saber que raio de platinado cabia neste raio de magneto. Encontrei um velho eletricista que tinha a solução. Elimina o magneto e nele se adapta uma chaveta e bota uma bobina que vai(costumavam fazer isso nos motores das velhas tosquiadeiras de ovelhas). E foi. Funcionou.

Preparei o Bries, chequei a meteorologia e chamei o Gustavo. Mas aí já se tinham ido 50 dias em La Paloma.....

Saímos de La Paloma as 19 horas do dia 15/03 com vento leve de NW com destino a Rio Grande e se tudo estivesse 100%, direto a Camboriú. As 23 horas o sistema elétrico foi pro espaço. Algum curto ou coisa parecida esgotou as baterias e o vento parou total. Calmaria pura por umas 4 horas. Ao amanhecer uma brisa de NE deixava o Bries andar de 3 a 5 nós. Quando anoiteceu caiu um temporal dos grandes. Com raios, trovoadas e ondas de tudo quanto era lado. Durou umas 2 horas e acalmou e entramos em calmaria de novo. No amanhecer de sábado entrou um SE de 30 nós e o pau pegou. O Bries surfando a 8 nós. Novamente o Bries e o Gustavo se mostrando excelentes marinheiros.

Entramos na barra de Rio Grande as 21 horas do sábado 18/03 a vela pois não havia energia nas baterias prá botar o velho ventinho de porão em funcionamento. Aí, prá fechar com chave de ouro, perdemos o canal e encalhamos....O Gilson do pesqueiro Nadir nos tirou da encrenca e nos rebocou até o cais do Museu Oceanográfico da UFRG, dirigido pelo fantástico Lauro Barcellos, onde está o Bries neste momento nos esperando prá mais uma perna, que vai acontecer logo após o feriado de Páscoa. 
Isto aconteceu em 2005/06.

Depois disso o Bries foi levado para Pelotas-Rs e la mesmo vendido devido a grave doença na família. Hoje já registrado no Brasil e rebatizado navega em águas brasileiras.

“Para vocês navegadores que pretendem navegar em águas Uruguaias, anota ai uma dica, - você tem que chamar pelo rádio o porto mais próximo e relatar suas intenções, mesmo que você não tenha a intenção de ali aportar, para você ter uma idéia, os barcos de pesca brasileiros que se aventuram a pescar em águas Uruguaias já se ferraram várias vezes, tem um monte de embarcação de pesca presa lá” 

Por: ROGERIO BASSANI  E-Mail: rovebas@hotmail.com

Um abraço e boas navegações

Ney Broker
e-mail e msn: neybroker@hotmail.com

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