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MOEDA SOB O MASTRO: A SUPERSTIÇÃO MILENAR DOS MARUJOS QUE TRANSFORMOU UMA SIMPLES MOEDA EM PROTEÇÃO, TRAVESSIA E PASSAGEM PARA O ALÉM

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MOEDA SOB O MASTRO: O PEDÁGIO PARA O ALÉM Imagine terminar a construção de um veleiro e, antes de instalar o mastro principal, esconder uma moeda exatamente sob sua base. Não para gastar. Não para ser encontrada. Mas para permanecer ali durante toda a vida do barco. Essa é uma das tradições mais antigas e curiosas do mundo marítimo. Durante séculos, construtores e marinheiros colocaram moedas sob o chamado mast step — a estrutura onde o mastro é apoiado. Achados arqueológicos em antigos naufrágios romanos mostram que a prática realmente existiu e atravessou diferentes épocas da história. Mas por quê? Uma das explicações mais fascinantes nos leva diretamente à mitologia greco-romana. Segundo a crença, após a morte, as almas precisavam atravessar o mundo dos mortos conduzidas por Caronte, o barqueiro do submundo. Para fazer a travessia, era necessário pagar uma moeda. Por isso surgiu a interpretação de que a moeda escondida sob o mastro funcionaria como uma espécie de “seguro...

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O MISTÉRIO DAS BANANAS A BORDO: COMO UMA FRUTA COMUM VIROU SÍMBOLO DE AZAR, MEDO E SUPERSTIÇÃO ENTRE MARINHEIROS, PESCADORES E DONOS DE BARCOS NO MAR.

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O MISTÉRIO DAS BANANAS A BORDO Você entraria em um barco carregando uma banana? Parece brincadeira, mas para muitos pescadores e marinheiros isso ainda é praticamente uma provocação aos deuses do mar. Entre as antigas superstições náuticas, poucas sobreviveram tão bem quanto esta: BANANA A BORDO DÁ AZAR . Mas de onde surgiu essa história? Não existe uma única explicação comprovada. O que existe é uma mistura fascinante de comércio marítimo, pescaria, animais peçonhentos e histórias passadas de geração em geração. BARCOS QUE NÃO PODIAM PERDER TEMPO Nos primeiros tempos do transporte comercial de bananas, a fruta precisava chegar ao destino antes de amadurecer demais. Isso significava viagens rápidas e pouca disposição para parar ou reduzir a velocidade para pescar. Com o tempo, nasceu uma associação curiosa: barco com banana = barco sem peixe. E daí para dizer que banana "espanta peixe" foi um pulo. OS PASSAGEIROS CLANDESTINOS Talvez esta seja uma das explicações m...

ESTALEIRO, DEALER, BROKERAGE, CONSULTORIA, SURVEY… QUEM É QUEM NO MERCADO NÁUTICO?

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O mercado náutico é muito maior do que simplesmente “quem fabrica” e “quem vende” um barco Durante muitos anos, principalmente aqui no Brasil, o mercado náutico acabou simplificando demais algumas funções. Tem o estaleiro, que fabrica o barco. Tem o representante da marca, que vende o barco novo. E tem o broker, normalmente associado à compra e venda de embarcações usadas e seminovas. Só que o mercado internacional mostra uma estrutura muito mais ampla. E isso é importante porque, quando colocamos todo mundo dentro da mesma definição de “vendedor de barcos”, acabamos misturando atividades que possuem responsabilidades, objetivos e até conflitos de interesse completamente diferentes. Depois de quase quatro décadas trabalhando dentro da náutica, eu vejo cada vez mais necessidade de explicar essas diferenças. Porque uma coisa é fabricar. Outra é representar uma marca. Outra é vender. Outra é aconselhar quem está comprando. Outra é inspecionar tecnicamente. E outra completament...

MULHERES NO COMANDO: ELAS SEMPRE TIVERAM LUGAR A BORDO — FALTAVA O MERCADO PERCEBER

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TER UM BARCO NÃO PRECISA SER UM BICHO DE SETE CABEÇAS — E A NÁUTICA PRECISA FALAR MAIS COM AS MULHERES Assisti a um vídeo da empresária Betty Eisenbraun falando diretamente com mulheres que têm vontade de entrar para o mundo náutico. A abordagem dela me chamou a atenção porque toca numa questão que, para mim, não é nova. Eu trabalho nesse mercado desde os anos 80 e convivo profissionalmente com mulheres a bordo há décadas. Por isso, quando falo que gostaria de ver mais mulheres na náutica, não estou falando de uma tendência que apareceu agora. Estou falando de algo que eu já vi funcionar na prática. Mulheres pilotando. Mulheres manobrando. Mulheres trabalhando como marinheiras. Mulheres como ajudantes. Mulheres como capitãs. Mulheres comprando barco. Mulheres decidindo. Mulheres comandando. E talvez esteja justamente aí uma das maiores oportunidades que o mercado náutico brasileiro ainda não percebeu completamente. MINHA EXPERIÊNCIA COM MULHERES A BORDO COMEÇOU NOS ANOS 90 ...

GAIUTA DE PROA NÃO É SÓ PARA VENTILAR: EM MUITOS BARCOS, ELA PODE SER UMA SAÍDA DE EMERGÊNCIA

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Esses dias eu estava assistindo a uma apresentação de uma embarcação e uma coisa me chamou a atenção. Ao chegar à cabine de proa, o apresentador mostrou aquela gaiuta instalada no teto e explicou que ela estava ali para abrir e ventilar a cabine. Sim. Ela pode ventilar. Pode entrar luz. Pode melhorar bastante o conforto quando o barco está parado e o tempo permite mantê-la aberta. Mas, durante muitos anos trabalhando com embarcações, fazendo entregas técnicas, acompanhando proprietários e realizando vistorias e surveys, aprendi que existem equipamentos a bordo cuja função mais importante não aparece no uso cotidiano. E a gaiuta da cabine de proa é um ótimo exemplo disso. Qualquer dúvida, de um Google 👇 Dependendo do projeto da embarcação, aquela gaiuta também pode integrar a rota de saída de emergência da cabine. E essa informação, para mim, é muito mais importante do que simplesmente dizer que ela serve para ventilar. GAIUTA E VIGIA NÃO SÃO A MESMA COISA Prime...

MARÉ BAIXA, ASSOREAMENTO E CALADO: QUANDO O PROBLEMA NÃO É A MARINA, É NÃO SABER A HORA DE SAIR

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Tem uma frase que escuto há décadas no meio náutico: “Não vou deixar meu barco naquela marina porque lá encalha.” Às vezes existe fundamento. Às vezes existe assoreamento, restrição de calado, canal estreito ou necessidade de dragagem. Mas, em muitos casos, existe também uma enorme confusão entre maré baixa, assoreamento e planejamento de navegação. E quem já passou boa parte da vida entrando e saindo de marinas sabe que essa história está longe de ser exclusividade de uma marina pequena ou de determinado ponto do litoral. Já vivi isso em Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Marinas simples. Marinas sofisticadas. Iates clubes tradicionais. Condomínios náuticos. Estruturas que recebem embarcações de milhões de reais. A natureza não pergunta quanto custou o barco nem quanto custou a marina. MARÉ BAIXA NÃO É ASSOREAMENTO Primeiro precisamos separar as coisas. Maré baixa é maré baixa. O nível da água diminui periodicamente em função principalmente das forças grav...

JACARÉ CABELUDO: QUANDO O CANAL 68 ERA O ENTRETENIMENTO DA MARINHEIRADA EM ANGRA

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Antes de internet, WhatsApp, Instagram e Starlink, quem passava dias embarcado esperando o proprietário aparecer precisava arrumar alguma coisa para matar o tempo. Em Angra dos Reis, durante muitos anos, uma dessas “atrações” atendia pelo apelido de Jacaré Cabeludo. Eu comecei a navegar pela região nos anos 1980, mas foi  durante os anos 1990, que lembro muito bem dele infernizando o rádio VHF. DO CANAL 16 PARA O 68 O ritual era mais ou menos conhecido pela marinheirada. Jacaré Cabeludo aparecia pelo canal 16, fazia chamada e depois migrava para o canal 68. E aí começava o espetáculo. Não consigo precisar hoje qual era o horário, mas havia períodos em que ele permanecia um bom tempo no rádio, falando besteira, provocando, contando histórias e ocupando o canal. Para quem precisava efetivamente utilizar o VHF, provavelmente era uma bela dor de cabeça. Só que aconteceu uma coisa curiosa: o sujeito acabou conquistando audiência. A MARINHEIRADA FICAVA ESPERANDO O mais engraç...

BLUE II NO CANAL DE CORINTO: COMO UM SUPERYACHT DE 56 METROS ACABOU RASPANDO NAS PAREDES

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O ACIDENTE CHAMOU ATENÇÃO PELO VALOR DO IATE, MAS A PARTE MAIS INTERESSANTE DA HISTÓRIA ESTÁ NA HIDRODINÂMICA, NA PILOTAGEM EM ÁGUAS RESTRITAS E EM UMA PERGUNTA QUE AINDA NÃO TEM RESPOSTA OFICIAL: O QUE REALMENTE ACONTECEU? Um superiate de quase 56 metros, tecnologia de ponta, tripulação profissional, bow thruster, stern thruster e sistemas sofisticados de propulsão. Do outro lado, um canal praticamente reto. À primeira vista, parece simples. Só que não foi. No dia 8 de agosto de 2026, o superiate BLUE II chamou a atenção do mundo náutico ao tocar repetidamente as paredes do famoso Canal de Corinto, na Grécia. As imagens rapidamente circularam pelas redes sociais e produziram a conclusão mais fácil: “O comandante errou.” Só que quem conhece um pouco de navegação em águas restritas sabe que a história pode ser muito mais complexa. E, até agora, não existe uma conclusão oficial que permita atribuir a causa do acidente a erro humano, falha técnica ou qualquer outro fator espec...

AEROSSOL PODE SER O PRÓXIMO PASSO NO COMBATE A INCÊNDIO EM PRAÇAS DE MÁQUINAS DAS EMBARCAÇÕES

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NOVA TECNOLOGIA PROMETE COMBATER O FOGO SEM RETIRAR O OXIGÊNIO DO AMBIENTE E JÁ COMEÇA A CONVERSAR COM A ELETRÔNICA EMBARCADA Incêndio em praça de máquinas continua sendo um dos cenários mais críticos dentro de uma embarcação. É um ambiente com combustível, óleo, superfícies aquecidas, instalações elétricas, pouca ventilação e, muitas vezes, acesso difícil. Por isso, qualquer nova tecnologia voltada a esse compartimento merece atenção. A Fire Suppression Industries, em parceria com a Airmar Technology, apresentou recentemente um sistema fixo de combate a incêndio baseado em aerossol, desenvolvido para compartimentos fechados como praças de máquinas. A proposta é bastante diferente dos sistemas tradicionais de CO₂. Quando acionado automaticamente por temperatura ou manualmente, o equipamento libera uma grande quantidade de partículas extremamente pequenas dentro do compartimento. Essas partículas permanecem suspensas no ambiente e atuam diretamente sobre a reação química res...