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O QUE REALMENTE MUDA PARA O MARINHEIRO PARTICULAR APÓS A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO?

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A LEI SAIU. E AGORA? O que realmente muda para o Marinheiro Particular após a regulamentação da profissão? Depois de publicar uma retrospectiva sobre a história dos marinheiros particulares no Brasil, recebi diversas mensagens de profissionais perguntando praticamente a mesma coisa: "Tudo bem, Ney... a profissão foi reconhecida. Mas o que muda agora?" Essa é a pergunta do momento. Como não estou a frente de nenhum movimento dei uma pesquisada e conversei com alguns amigos do mar. Segue um resumo: A aprovação da lei foi uma grande conquista, mas ela não encerrou a discussão. Na verdade, ela abriu uma nova etapa, talvez a mais importante de todas: transformar o texto da lei em regras claras para quem trabalha e para quem contrata. Como sempre digo, no mar uma coisa é a teoria. Outra é a prática. No papel, o barco está revisado. No mar, acende um alarme. No papel, a previsão é de tempo bom. Na saída da barra, o vento muda. No papel, todo mundo sabe o que fazer. Na ho...

ESPECIAL | A HISTÓRIA DO MARINHEIRO PARTICULAR NO BRASIL

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Uma viagem no tempo para lembrar como tudo começou. Há poucos dias recebi um material muito interessante enviado pelo Fabrício. Entre documentos, reportagens antigas, fotografias e um ofício encaminhado à Marinha do Brasil, comecei a folhear uma parte da história que muitos marinheiros particulares nunca conheceram. Enquanto lia aquele material, fui voltando no tempo. Lembrei de uma época em que quase ninguém falava em marinheiro particular. Não existia WhatsApp. Não existia Facebook. Instagram então... Nem pensar. Quem queria conversar com outro marinheiro precisava pegar o telefone ou encontrar alguém na marina. Naquela época, o Brasil tinha milhares de embarcações. Mas os marinheiros trabalhavam praticamente sozinhos. Cada um no seu canto. Foi nesse cenário que começaram a aparecer as primeiras iniciativas para aproximar esses profissionais. No meu caso, lá em 1999, surgiu a AMPARB — Associação dos Marinheiros Particulares do Brasil. Era uma iniciativa simples. A interne...

A TRAVESSIA MAIS DIFÍCIL DA MINHA VIDA: FLORIANÓPOLIS X ANGRA DOS REIS EM UMA PANTHER 33

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Existem travessias que a gente nunca esquece. Essa aconteceu no final de 1989, quando eu tinha apenas 17 anos. Embarquei ao lado do meu tio Zeca, um marinheiro muito experiente, para levar uma Intermarine Panther 33 de Florianópolis até Angra dos Reis. A Panther 33 era um dos modelos esportivos mais desejados do Brasil naquela época. Para quem gosta de barcos, basta lembrar de um detalhe: foi esse mesmo modelo que o Ayrton Senna escolheu para ter como sua embarcação de lazer. Era uma lancha rápida, bonita e muito respeitada no mercado. O proprietário queria o barco em Angra antes do Natal. As transportadoras já estavam em férias coletivas e só voltariam em janeiro. A solução foi fazer a entrega navegando. Saímos do Iate Clube de Florianópolis na madrugada do dia 22 de dezembro. O plano do meu tio era seguir praticamente direto para Santos, navegando por fora, sem ficar costeando. Lembro que questionei aquela decisão. — Tem certeza? Ele respondeu sem nem olhar para mim. — Es...

POR QUE UM LAUDO TÉCNICO PODE EVITAR O MAIOR ERRO DA SUA VIDA NO MERCADO NÁUTICO

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Durante os meus 38 anos no mercado náutico, aprendi uma coisa que mudou completamente a forma como trabalho. Eu não sou tirador de pedido. Parece uma frase forte, mas ela explica exatamente a diferença entre vender um barco e assumir a responsabilidade técnica por uma negociação. Há alguns anos participei de uma feira náutica. Caminhei pelos estandes, subi em várias embarcações e conversei com diversos corretores. Todos eram muito educados. Mostravam a geladeira, o fogão, a televisão, a cabine, o banheiro, a churrasqueira... Mas bastava fazer uma pergunta técnica para perceber que havia um problema. — Como essa embarcação navega em mar formado? — Qual é o consumo real em velocidade de cruzeiro? — Esses motores têm algum histórico conhecido? — Qual a rotação ideal para esse conjunto? Na maioria das vezes a resposta era praticamente a mesma. "Isso o patrão sabe explicar." Naquele momento percebi que muitos profissionais estavam apenas esperando alguém decidir compra...

PAPEL ACEITA TUDO. O BARCO, NÃO. POR QUE UMA VISTORIA TÉCNICA VALE MAIS DO QUE UM HISTÓRICO DE MANUTENÇÃO

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Ao longo dos meus 38 anos trabalhando na náutica, já ouvi de tudo. "Esse barco tem todas as notas fiscais." "Todas as revisões foram feitas." "O marinheiro cuidava como se fosse dele." "O aplicativo tem o histórico completo da embarcação." Tudo isso é ótimo. Mas nenhuma dessas informações, sozinha, garante que o barco esteja realmente em boas condições. O maior erro de quem compra um barco Muita gente acredita que um histórico organizado de manutenção elimina a necessidade de uma vistoria técnica. Não elimina. Na verdade, uma coisa complementa a outra. Documentos contam uma história. A embarcação conta outra. E, muitas vezes, elas não são exatamente iguais. Um software não faz uma inspeção Hoje existem diversos aplicativos e sistemas para registrar revisões, trocas de peças e serviços executados. São ferramentas úteis para organização. Mas elas dependem de uma única coisa: A qualidade das informações lançadas no sistema. Se um serviço...

EXISTIU UM TEMPO EM QUE VIAJAR DE BARCO ERA O MELHOR NEGÓCIO PARA UM MARINHEIRO

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Quem começou a navegar profissionalmente nos anos 80 e 90 certamente vai entender o que estou dizendo. Naquela época, quando o patrão anunciava: — Vamos levar o barco para Angra dos Reis. Quase sempre havia disputa entre os marinheiros para conseguir a escala. Muita gente pode imaginar que era apenas pela oportunidade de conhecer um dos lugares mais bonitos do litoral brasileiro. Claro que isso fazia parte. Mas existia um motivo ainda melhor. Além do salário, a tripulação recebia uma diária para cobrir todas as despesas durante a viagem. Fazendo uma correção aproximada pela inflação, aqueles R$ 50 por dia equivaleriam hoje a algo entre R$ 250 e R$ 350 . Era dinheiro suficiente para pagar o almoço, a janta, aquele café na marina e todas as pequenas despesas que surgiam durante a travessia. O melhor de tudo era saber que o salário chegaria praticamente inteiro para a família. Enquanto eu estava no mar, minha esposa administrava a casa com o salário, e eu utilizav...

O QUE QUASE NINGUÉM SABE SOBRE O ENEJOTA: 15 CURIOSIDADES DO SUPЕRIATE DE NEYMAR JR.

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Quando as primeiras imagens do Enejota apareceram nas redes sociais, muita gente ficou impressionada com o tamanho e o luxo da embarcação. Mas existem várias curiosidades que normalmente não aparecem nas reportagens. Como broker e vistoriador naval, achei interessante reunir alguns detalhes técnicos e operacionais que ajudam a entender a dimensão desse projeto. Alguns números realmente impressionam. 1. O nome "Enejota" significa NJ O nome é simplesmente a pronúncia das iniciais de Neymar Jr. Uma escolha simples, mas que já tornou a embarcação facilmente reconhecida no meio náutico. 2. O barco não foi construído do zero Essa talvez seja a maior curiosidade. O Enejota nasceu como uma embarcação de apoio marítimo. Depois passou por um enorme processo de retrofit, transformando um barco de trabalho em um dos maiores superiates de lazer do Brasil. É um excelente exemplo de como um casco profissional pode ganhar uma segunda vida. 3. Ele mede quase 47 metros São aproxima...