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* MARINHEIRA MARIÂNGELA - UMA HISTÓRIA DE PERSEVERANÇA

Mariângela, pode ser a corruptela dos nomes Marina (do latim, a que veio do mar ou Maria, do hebraico que significa soberana) e Ângela (que significa anjo, mensageiro). No caso desta moça de 1,70m e sorriso franco, se aplica melhor a definição de “anjo do mar”. 

Nascida em família de caiçaras, do litoral do Estado de São Paulo a intimidade de Mariângela com o mar, data de sua concepção. Tanto que há um ano tornou-se seu verdadeiro habitat. Mariângela é marinheira (2º imediato) de uma Ferretti 74 – um Iate de 22,5 metros.

Aos 23 anos, a marinheira ingressou num mercado de trabalho tipicamente masculino. “Há mulheres trabalhando em barcos, mas cuidam mais da limpeza e serviço de bordo, enquanto eu sou marinheira habilitada pela Capitania, como auxiliar de convés. Não conheço no estado de São Paulo, nenhuma marinheira habilitada”, explica a jovem. 

Sua trajetória profissional foi definida por forte influência paterna. Seu pai é marinheiro há 31 anos. A afinidade pela profissão foi incentivada pelo irmão, que também é marinheiro. A partir daí, Mariângela largou a função de vendedora para dedicar-se aos estudos e se habilitar, com planos de concluir o curso de mestre amador no próximo ano. 

Enquanto isso, a marinheira, que também é autodidata divide suas ocupações profissionais com o estudo de uma apostila repleta de informações sobre motores, filtros, baterias, reversores, mecânica, elétrica e hidráulica das embarcações, que alimenta com muito papo entre os colegas mais experientes e com pesquisa em revistas e catálogos, além da observação e da freqüência em cursos da área náutica. “Não tenho vergonha de perguntar”, explica.

A marinheira nutre o sonho de ingressar na escola naval “e viajar o mundo inteiro no Cisne Branco”, salienta. Enquanto isso é funcionária de uma grande embarcação de esporte e recreio que considera como sua segunda casa. Neste trabalho Mariângela teve a oportunidade de aprender diversas atividades para desempenhar melhor suas funções de comissária de bordo, que acumula. “Os patrões são maravilhosos, investem em seus funcionários. No barco somos três funcionários, o encarregado, o 1º e o 2º imediatos. Fizemos cursos de culinária, bartender, camareira e etiqueta. No barco fazemos de tudo um pouco: somos babás, cozinheiros, camareira, segurança, servimos drinks, limpamos a embarcação, cuidamos da sua manutenção, além de conduzi-la”, conta. 

Preconceito

Mariângela afirma nunca ter sofrido nenhum tipo de preconceito por estar trabalhando no meio de homens. “Eu diria que no início, minha presença causou estranhamento, mas preconceito não. Só tenho a agradecer pela acolhida dos colegas que vivem me incentivando, me ensinando e ajudando nas mais diversas atividades”, esclarece. 

Vaidade

“Há meninas que trabalham no Iate Clube que se vestem como homens. Eu não abro mão do meu batom, lápis no olho, cabelo arrumado. Embora o uniforme não seja muito atrativo (bermuda comprida e camiseta pólo) compenso nos acessórios. Não posso deixar minha vaidade de lado só porque é um trabalho tipicamente masculino”, ressalta. 

Segurança

“Usamos protetores solares, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), roupas apropriadas para enfrentar tempo ruim, além de cumprirmos os horários das refeições. Essas atitudes garantem o bem estar e a saúde da tripulação”, esclarece.

Rotina

“Todos os dias que o barco está atracado cumpro horário das 8h às 17 horas. Neste período cuido do interior da embarcação, limpeza e arrumação. Os meninos fazem a manutenção dos equipamentos e quando meu trabalho termina vou ajudá-los. Além do Iate, devemos cuidar dos acessórios, do Jet Ski, dos caiaques, botes, equipamentos de mergulho e do equipamento do barco, desde o motor até as bombas e casco. Já mergulhei para limpar o fundo, pintei o costado, dei polimento”, enumera.

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