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* ENFRENTAR O MAR FORA DO BARCO, SÓ NO “RASINHO”

Apesar de trabalhar em alto mar a maioria dos pescadores não aprendeu a nadar por medo de afogamento. 

Quem de vocês não sabe nadar? A pergunta foi feita para um grupo de pescadores, a maioria deles já aposentados, que conversavam na tarde do ultimo domingo na praia de Barra da Lagoa, em Florianópolis.

A principio, todos ficaram quietos, até que Osmar Coelho, 76 anos, 50 deles trabalhando no mar, admitiu: “eu nunca aprendi”.

Osmarino não é uma exceção. Muitos pescadores, principalmente entre os mais antigos, afundam se caírem na água. Poucos, no entanto admitem que não sabem nadar. “Antigamente os pais não deixavam as crianças brincarem no rio ou no mar. Eles tinham medo que a gente se afogasse”, conta Osmarino.

Parece uma insastez, mas os pais, pescadores, mesmo sabendo que seus filhos seguiriam a profissão e trabalhariam a vida inteira no mar, proibiam as crianças se aproximar da água. “Se a gente aparecesse em casa com o calção ou o cabelo molhado apanhava na certa”, diz o antigo pescador.

A sua inabilidade na água quase lhe custou a vida. Três vezes Osmarino foi vitima de um naufrágio e, se não fosse a ajuda dos companheiros provavelmente teria morrido afogado.

O primeiro acidente foi na Barra da Lagoa durante a pesca da tainha. O braço virou e Osmarino ficou embaixo da embarcação. Os amigos o salvaram. Nas outras duas vezes, teve mais sorte: conseguiu ficar no casco o braço até que uma equipe viesse resgata-lo.

Recusa mesmo após três naufrágios 

Os naufrágios não fizeram o pescador o pescador de mudar a Idea quanto à necessidade de aprender a nadar. Mesmo depois de tudo isso, ele não quis aprender – e nem deixou seus quatro filhos, todos pescadores, tivessem aula de natação. “Se eles aprenderam foi escondido de mim”, ressalta.

Ouvindo a conversa outro pescador, João Pedro da Silva, 68 anos, lembra que nem sempre saber nadar ajuda a salvar vida.

“Eu conheci muitos nadadores ao longo da minha vida, e quase todos eram autoconfiantes demais, achando que por saber nadar estavam livres de qualquer perigo. Isso não é bom, porque o mar é muito traiçoeiro, e mesmo quem sabe nadar tem que ter muito cuidado”, alerta.

Os naufrágios em SC:

Em 2003

*7 de setembro: barco Pesca Chile – dos 10 tripulantes, oito foram resgatados e dois morreram.

*29 de setembro: barco Só Pesca 2 – os 24 tripulantes foram resgatados vivos.

*23 de novembro: barco Eliminar – dos cinco tripulantes apenas um foi resgatado vivo. 

Em 2004-09-21 

*28 de março: barco Valio 2 – dos seis tripulantes, três foram resgatados vivos. 

*28 de março: barco Antonio Venâncio – os setes tripulantes não foram resgatados 

*25 de abril: barco São Jorge – os cincos tripulantes foram resgatados vivos

COMO EVITAR ACIDENTES 

Siga as normas da marinha

*Use coletes
*Retorne para a costa em caso de mau tempo
*Respeite a quantidade de peso e de passageiros da embarcação
*Tire duvidas com a marinha sobre a área que pretende navegar

NA PRAIA 

*Mantenha-se afastado das costeiras e pedras: você pode escorregar ou ser derrubado pelas ondas
*Se você se sentir em perigo não entre em pânico: tente boiar
*Se você estiver sendo arrastado por uma corrente para o mar, procure nadar paralelo à praia.
*Não abuse de álcool: ele o faz perder a noção do perigo
*As placas de advertência indicam os locais perigosos no mar: afaste-se

“SABERIA ME DEFENDER” 

A vida de seu Pepe, como é conhecido o pescador Copertino Generosa, 78 anos, tem o mar como principal cenário. Foi em cima de um barco que ele cresceu, ajudou o pai e, mais tarde tirou o sustento de sua própria família.

Confessa que nunca aprendeu a nadar, para em seguida acrescentar: “Mas eu saberia me defender na água se precisasse”.

Naufrágio Seu Pepe nunca presenciou, mas já pegou uma tempestade feia no litoral do Rio Grande do Sul.

Foi o maior de vários sustos que levou em mais de cinco décadas trabalhando como pescador. Assim como seu amigo Osmarino, não aprendeu a nadar porque seu pai não deixava entrar na água, quando criança.

Com 14 anos começou na pesca. Seu pai teve que conseguir uma licença especial o “capitão do porto” para que o jovem pudesse trabalhar como pescador embarcado.”Quando fiz 15 anos já estava em alto-mar, pegando cação de até 120 quilos perto do farol de Santa Marta no litoral sul do estado”, conta. Os amigos riem. Conversa de pescador?

Fonte: pagina 34 do Diário Catarinense de 01 de agosto de 2004

VIVIANE BEVILACQUA
Viviane.bevilacqua@diario.com.br

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