Alirio da Silveira, Marinheiro Particular e Mestre Amador, comanda atualmente uma Embarcação Carbrasmar de 48´ pés, onde elogia essa embarcação pela facilidade de navegar e da segurança que ela oferece durante os passeios e suas pescarias em alto mar.
Acervo / Artigo publicado em 01/01/2001
Casco marinheiro aprovado para navegar nas águas agitadas aqui do sul, conclui.
Casado, goza de sua aposentadoria com muita saúde; pai de cinco filhos sendo quatro homens todos seguiram a profissão do pai. Tem nove netos e orgulha-se de ser Catarinense e de seus mais de 40 anos dedicado a pesca embarcada com linha em alto mar.
Sempre Fiel ao seu ex-patrão o Sr.Arlindo Isaac da costa com quem trabalhou a mais de 30 anos se sente orgulhoso por seus milhares de peixes pescados em alto mar. Conquistou 5 dos campeonatos de pesca realizado pelo iate clube de Santa Catarina - Veleiros da ilha.
Sempre orgulhoso do que faz,o marinheiro Alirio relembra a época em que trabalhava com a embarcação “suza” uma carbrasmar 32 ´pés, na epoca existia fartura em quantidades e tamanhos dos peixes.
Na foto ao lado com o Marinheiro Claudinei um sherno de 68 kilos no ano de 1990.
Diz que hoje em dia a quantidade e o tamanho dos peixes diminuíram e que Antigamente era fácil prever o tempo.
Seus pesqueiros favoritos são o do Moleque do sul; parcel do Coral; parcel do Meio; Parcel do Claro; Parcel das irmãs e onde pesca atualmente nos cascalhos de 60 e 70 metros no sul da ilha de Florianópolis-SC.
Sua história mais engraçada foi a de pegar um sherno de 39 kilos sem linha e sem isca, isso mesmo o Sherno estava boiando na redondeza de governador Celso Ramos Próximo a Ilha de Anhatomirim em Florianópolis – SC, com pedras na “gueurra” (Provavelmente sobrevivente de alguma pesca predadora com dinamites).
" Foi o peixe mais facil que pesquei. Como o peixe já estava cansado de tanto se bater para tirar os pedregulhos de sua “gueurra” foi fisgado como clock e colocado na lancha" - (conta o marinheiro Alirio com sorrisos)
Na foto ao lado, uma espécie de peixe diferente pescada em 1988 foi enviada a UFSC (universidade federal de Santa Catarina) e não foi identificada sua espécie.
Conta também que seu maior susto foi em 1990, a de enfrentar uma tempestade que ele considera a pior já vista na sua carreira:
“estávamos pescando a 58 milhas da ilha de Santa Catarina no cascalho a 60 metros de profundidade de repente tudo mudou o vento com seus 38 nós e ondas com mais de 4 metros de altura vindas do Sul acabaram com nossa pescaria. Felizmente chegamos na marina a salvos"
Os tipos de peixes que mais pescou foram; Dourado, sherno, Garoupa, Pardo, Anchova, Olhete, Marimbal, Sharel, Namorado, Vermelho e o Mero. A linha de pescas que mais uso é as de números 120 a 160.
Na foto ao lado, mais de sete Méros gigantes pescados em 2000 pelo “Mourinha” de Florianópolis-SC. (imagens de fotos escaneadas)
“Se pudesse contar todas as minhas historias de pescarias para vocês, iria faltar espaço no blog”.
Responde o Marinheiro Alirio depois de algumas insistências de continuar a entrevista para o site do marinheiro.
Atualização – Julho de 2026
Muitos anos se passaram desde que esta entrevista foi publicada e resolvi mantê-la no ar porque ela representa uma parte importante da história da minha família e da minha própria trajetória no mercado náutico.
Meu pai, Alírio da Silveira, continua sendo um grande exemplo de dedicação ao mar. Hoje, aos 78 anos, segue trabalhando na mesma Carbrasmar 48 onde atua há décadas. A embarcação, que na época desta reportagem pertencia ao Sr. Arlindo Isaac da Costa, atualmente pertence ao empresário Marcondes de Matos, proprietário do Costão do Santinho.
Mesmo após uma vida inteira dedicada à pesca e à navegação, ele continua transmitindo seu conhecimento de forma simples e artesanal. Em casa, ainda confecciona manualmente redes de proteção para guarda-mancebos, utilizadas em embarcações para aumentar a segurança de crianças e animais de estimação a bordo. Cada rede é costurada uma a uma, exatamente como aprendeu ao longo de tantos anos de profissão.
E quando chega o momento de descansar, continua fazendo aquilo que sempre amou. Em seu pequeno barco de pesca de madeira, adquirido com muito esforço ao longo da vida, aproveita os dias de folga para pescar camarão, mantendo viva a mesma paixão pelo mar que o acompanha desde a juventude.
Hoje ele é pai, avô e bisavô. E olhando para trás, percebo que foi ao seu lado que aprendi as primeiras lições sobre responsabilidade, respeito pelo mar, humildade e trabalho. Antes mesmo de conhecer os grandes iates e os estaleiros, foi acompanhando meu pai nas pescarias que nasceu a paixão que mais tarde se transformaria na minha profissão.
Se hoje completo 38 anos de atuação no mercado náutico, grande parte dessa história começou ali, ainda menino, observando o exemplo de um homem simples que sempre fez do mar sua escola e seu modo de vida.
Obrigado por tudo, pai. Seu legado continua navegando conosco.
Ney Broker
38 anos de experiência no mercado náutico
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