MERCADO DE BARCOS SEMINOVOS, CHARTER E REFIT CRESCE E GANHA FORÇA NA INDÚSTRIA NÁUTICA MUNDIAL
Durante muitos anos, a indústria náutica concentrou sua atenção principalmente nos lançamentos dos grandes estaleiros. Hoje, entretanto, um dos segmentos que mais cresce é justamente o das embarcações já em operação.
O mercado de brokerage (corretagem de embarcações usadas), charter (locação) e refit (modernização e revitalização) tornou-se um dos pilares da economia náutica mundial. Em muitos casos, ele movimenta mais negócios do que a venda de embarcações novas.
A espera por um barco novo ficou mais longa
Após a pandemia, diversos estaleiros passaram a trabalhar com carteiras de pedidos bastante extensas.
Dependendo do fabricante e do porte da embarcação, o prazo de entrega pode variar entre um e quatro anos.
Como consequência, muitos compradores passaram a buscar embarcações seminovas em excelente estado, disponíveis para entrega imediata.
O seminovo deixou de ser segunda opção
O comprador atual não procura apenas preço menor.
Em muitos casos, ele prefere uma embarcação que já tenha:
- equipamentos instalados;
- sistemas testados;
- documentação regularizada;
- manutenção conhecida;
- melhorias realizadas pelo proprietário anterior.
Além disso, diversas embarcações passam por programas completos de modernização antes da venda, recebendo novos interiores, eletrônica, pintura, motores revisados e atualizações tecnológicas.
O resultado é um barco praticamente renovado, porém com disponibilidade imediata.
O refit virou um grande negócio
Há alguns anos, o refit era visto apenas como manutenção pesada.
Hoje ele representa um mercado altamente especializado.
Empresas dedicadas exclusivamente à modernização de embarcações trabalham com:
- redesign de interiores;
- substituição completa da eletrônica;
- novos sistemas elétricos;
- motorização;
- pintura;
- teca sintética ou natural;
- sistemas de estabilização;
- automação;
- eficiência energética.
Em muitos casos, o valor agregado após um refit supera amplamente o investimento realizado.
Charter impulsiona toda a cadeia
Outro fator importante é o crescimento do mercado de locação.
Muitos proprietários passaram a utilizar o charter como forma de reduzir parte dos custos de manutenção da embarcação.
Para isso, investem constantemente em conservação, reformas e atualização dos equipamentos, aumentando também o valor de mercado do barco.
Esse ciclo beneficia:
- marinas;
- estaleiros;
- empresas de manutenção;
- eletricistas navais;
- tapeceiros;
- fabricantes de equipamentos;
- seguradoras;
- corretores.
Monaco Yacht Show confirma essa tendência
A edição de 2026 do Monaco Yacht Show ilustra claramente essa transformação.
Dos cerca de 120 superiates previstos, 38 embarcações confirmadas são apresentadas por empresas de brokerage e charter, demonstrando que o evento deixou de ser apenas uma vitrine para barcos novos e se consolidou como um dos maiores mercados mundiais para compra, venda, gestão e locação de superiates.
Além disso, diversos iates recentemente revitalizados por programas de refit também estarão em destaque.
E o Brasil?
Embora o mercado brasileiro ainda seja menor que o europeu e o norte-americano, o mesmo movimento começa a ganhar força.
O crescimento das marinas, da corretagem especializada, dos programas de gestão de embarcações e da busca por barcos prontos para navegar indica uma profissionalização cada vez maior do setor.
Modelos de negócios baseados em brokerage, charter, gestão de embarcações e refit tendem a ocupar um papel cada vez mais relevante na economia do mar brasileira, aproximando o país das práticas já consolidadas nos principais polos náuticos do mundo.
Ney Broker
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