O ENEJOTA DO NEYMAR NÃO É APENAS UM SUPERIATE. É UMA AULA DE ENGENHARIA NAVAL.
Quando a maioria das pessoas viu as primeiras imagens do Enejota, o novo superiate do Neymar Jr., a atenção foi para o luxo.
Heliponto.
Seis suítes.
Aproximadamente 800 m² de área útil.
Valor estimado em torno de R$ 120 milhões.
Mas quem trabalha há décadas no mercado náutico enxerga outra história.
Eu não vejo apenas um iate. Eu vejo um projeto de engenharia naval extremamente complexo.
O nome Enejota nada mais é do que a pronúncia das iniciais NJ, de Neymar Jr.
Porém, por trás desse nome existe uma das conversões navais mais impressionantes realizadas recentemente no Brasil.
Muita gente acredita que o barco foi construído do zero.
Não foi.
O casco nasceu como uma embarcação de apoio marítimo construída pelo Estaleiro Arpoador, no Guarujá (SP). Posteriormente passou por um gigantesco processo de retrofit conduzido pela INACE SuperYachts, em Fortaleza (CE), transformando uma embarcação de trabalho em um verdadeiro explorer yacht de luxo.
E aqui existe uma diferença importante.
Retrofit não é reforma.
Essa é uma confusão que vejo diariamente.
Trocar estofamento, instalar eletrônicos novos ou pintar o casco é reforma.
Retrofit é outra conversa.
Significa reaproveitar uma plataforma naval existente e reconstruí-la praticamente por completo, envolvendo arquitetura naval, redistribuição estrutural, novos sistemas elétricos, hidráulicos, climatização, isolamento acústico, interiores, áreas sociais e tecnologia embarcada.
Em muitos casos, o investimento nessa transformação representa uma parcela enorme do valor final da embarcação.
Foi exatamente isso que aconteceu com o Enejota.
Um casco pensado para enfrentar o mar.
Quem observa apenas o acabamento talvez não perceba um detalhe.
O Enejota mantém características típicas de uma embarcação de apoio offshore.
A proa elevada.
As linhas robustas.
O grande volume interno.
A elevada autonomia.
Isso faz toda a diferença.
Enquanto muitas lanchas são projetadas prioritariamente para lazer em águas abrigadas, um explorer nasce preparado para enfrentar mares mais exigentes, longas travessias e operação profissional.
É outro conceito de navegação.
Os números impressionam.
São aproximadamente 47 metros de comprimento, cerca de 800 m² de área útil, seis suítes, heliponto e uma estrutura digna dos maiores superiates produzidos no país.
Na propulsão, o conjunto também chama atenção.
São quatro motores Caterpillar de 1.450 HP cada, entregando aproximadamente 5.800 HP de potência instalada.
Mas existe outro detalhe que poucos perceberam.
O Enejota utiliza propulsão por hidrojato (waterjet).
Por que usar hidrojato?
Na maioria das embarcações encontramos eixos e hélices convencionais.
No hidrojato, o funcionamento é diferente.
A água entra por uma tomada localizada sob o casco, é acelerada por uma bomba de alta vazão e expelida sob enorme pressão pela popa, gerando a propulsão.
Na prática isso oferece diversas vantagens:
• Excelente capacidade de manobra.
• Respostas muito rápidas aos comandos.
• Menor risco de danos em hélices expostas.
• Menor calado operacional.
• Navegação mais segura em determinadas situações.
Por outro lado, é um sistema caro, sofisticado e que exige manutenção especializada.
Não é uma tecnologia destinada ao mercado comum.
Velocidade não era a prioridade.
Muita gente estranhou quando viu que um barco com quase seis mil cavalos de potência navega na faixa de 18 a 20 nós.
Mas isso faz todo sentido.
Explorer yachts não são projetados para correr.
São projetados para navegar com conforto, estabilidade, autonomia e segurança.
Nesse tipo de embarcação, o luxo está justamente em percorrer centenas de milhas com tranquilidade.
A viagem até Angra dos Reis.
Depois de finalizado em Fortaleza, o Enejota iniciou sua navegação pela costa brasileira.
Fez escala na Recife Marina e posteriormente seguiu rumo ao litoral do Rio de Janeiro, chegando recentemente a Angra dos Reis, região onde Neymar possui residência em Mangaratiba e que deverá servir como base da embarcação. Santa Catarina também chegou a ser considerada como possível base devido à sua infraestrutura náutica.
O maior mérito desse projeto.
Na minha opinião, o aspecto mais importante do Enejota não é o proprietário.
Também não é o valor.
Muito menos o luxo.
O grande mérito é mostrar ao mundo a capacidade da engenharia naval brasileira.
Projetar, reconstruir e entregar uma embarcação dessa categoria exige conhecimento, planejamento e uma equipe altamente especializada.
Esse tipo de projeto coloca o Brasil em evidência no segmento internacional de grandes iates.
E deixa uma lição importante para quem gosta de barcos.
Às vezes, o maior potencial não está em comprar uma embarcação pronta.
Está em enxergar o que aquele casco ainda pode se tornar.
É exatamente isso que um verdadeiro retrofit é capaz de fazer.
⚓ "O mar nunca deixa de ensinar. Esta foi apenas uma das muitas histórias reais que ainda tenho para compartilhar. Até o próximo artigo."
Ney Broker
38 anos de experiência no mercado náutico brasileiro
Broker • Survey (Vistorias) • Skipper • Due Diligence Naval • Laudo Blindado 217 • Vistoria In Loco
WhatsApp: (48) 9 8461-1646
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