O ATIVO MAIS VALIOSO DO MERCADO NÁUTICO PODE NÃO SER O SUPERIATE, MAS A VAGA NA MARINA


Por Ney Broker

Quando pensamos em um superiate de 40, 60 ou até 100 metros, é natural imaginar que o maior patrimônio de seu proprietário seja a própria embarcação. Afinal, estamos falando de ativos que podem custar dezenas ou até centenas de milhões de dólares.

Entretanto, em alguns dos destinos náuticos mais exclusivos do mundo, essa lógica já não é absoluta.

No Mediterrâneo, especialmente em regiões como Mônaco, Antibes, Porto Cervo, Capri, Ibiza e Costa Amalfitana, uma vaga permanente em marina pode atingir valores impressionantes. Em alguns casos, o direito de uso de um berço é negociado por dezenas de milhões de dólares, dependendo do tamanho da embarcação, da localização e do prazo da concessão.

Parece exagero?

Na verdade, é apenas a consequência da velha lei da economia: oferta extremamente limitada e demanda crescente.

O grande problema: faltam vagas

Enquanto a indústria mundial continua entregando novos superiates todos os anos, o número de marinas cresce em ritmo muito menor.

Construir uma nova marina não é simples.

São necessários anos de estudos ambientais, licenciamento, investimentos bilionários e aprovação de diversos órgãos públicos. Em muitos países europeus, praticamente não existem mais locais disponíveis para novas estruturas desse porte.

Ou seja, a frota aumenta.

As vagas praticamente não.

O resultado é previsível: a valorização dos berços.

Durante a alta temporada europeia, proprietários de grandes iates chegam a disputar vagas meses antes do verão. Em alguns destinos, simplesmente não existe disponibilidade, independentemente do valor que estejam dispostos a pagar.

Por que investidores estão comprando marinas?

Essa realidade chamou a atenção dos maiores fundos de investimento do mundo.

Nos últimos anos, diversas operações bilionárias movimentaram o setor náutico internacional.

Grandes grupos financeiros perceberam que marinas possuem características muito semelhantes às de ativos imobiliários premium:

- Receita recorrente com mensalidades e contratos de longo prazo;
- Crescimento constante da demanda;
- Oferta limitada;
- Alto valor patrimonial;
- Clientes de elevado poder aquisitivo;
- Potencial de valorização no longo prazo.

Não por acaso, operadores de marinas passaram a ser disputados por fundos internacionais.

Mais recentemente, a própria MarineMax — empresa que opera dezenas de concessionárias, marinas e centros de armazenamento — entrou na mira de grandes investidores, reforçando a percepção de que infraestrutura náutica tornou-se um dos segmentos mais estratégicos do mercado.

O valor não está apenas no barco

Existe uma mudança importante acontecendo.

Durante muitos anos, o foco do mercado era exclusivamente vender embarcações.

Hoje, investidores enxergam valor também em tudo aquilo que mantém essas embarcações operando:

- Marinas;
- Estaleiros;
- Pátios secos;
- Centros de manutenção;
- Infraestrutura portuária;
- Serviços especializados.

Em outras palavras, o mercado está migrando de um modelo baseado apenas na venda de barcos para um ecossistema completo de serviços.

E o Brasil?

O Brasil ainda possui enorme potencial de crescimento.

Temos um dos maiores litorais do planeta, milhares de rios navegáveis e um mercado de lazer náutico em expansão.

Entretanto, em diversas regiões já é possível observar um cenário semelhante ao europeu.

Marinas bem localizadas apresentam filas de espera para vagas permanentes, especialmente em cidades como Florianópolis, Balneário Camboriú, Angra dos Reis, Guarujá e algumas regiões do litoral paulista e catarinense.

À medida que cresce o número de embarcações, cresce também a necessidade de infraestrutura.

Quem investir em marinas, píeres, pátios náuticos e serviços de apoio provavelmente estará investindo em um dos segmentos mais promissores do mercado náutico brasileiro.

Uma reflexão para investidores

Quando observamos apenas o casco de um iate, podemos imaginar que ali está todo o patrimônio.

Mas o mercado internacional mostra uma realidade diferente.

Sem uma vaga segura, bem localizada e com infraestrutura adequada, até mesmo um superiate multimilionário perde parte de sua funcionalidade.

É exatamente por isso que grandes fundos deixaram de olhar apenas para as embarcações e passaram a disputar empresas que administram marinas.

Afinal, o barco pode mudar de proprietário.

Mas uma vaga exclusiva em um dos destinos mais desejados do Mediterrâneo continua sendo um ativo raro.

E, como todo ativo raro, tende a valer cada vez mais.

Conclusão

O mercado náutico mundial está vivendo uma transformação silenciosa.

Os investimentos estão migrando das embarcações para a infraestrutura que sustenta toda essa indústria.

Quem acompanha esse movimento percebe que o verdadeiro ativo estratégico pode não estar sobre a água, mas justamente no espaço onde o barco permanece atracado.

Para quem atua no setor, seja como investidor, empresário ou proprietário de embarcação, entender essa tendência é fundamental para enxergar as oportunidades que estão surgindo.

Ney Broker

38 anos de experiência no mercado náutico brasileiro

Broker • Survey • Skipper • Due Diligence Naval • Laudo Blindado 217 • Vistoria In Loco

WhatsApp (48) 9 8461-1646 

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