BIGUAÇU ESTÁ PRESTES A VIVER A MAIOR TRANSFORMAÇÃO DA SUA HISTÓRIA NÁUTICA E EU VI TUDO COMEÇAR

Hoje li o artigo do Mané Ferrari sobre a importância dos molhes de Biguaçu.

Enquanto lia, não pensei apenas em engenharia, dragagem ou infraestrutura.

Pensei na minha própria história.

Ela começou muito antes de eu me tornar broker.

Muito antes da Ferretti.

Muito antes de conhecer marinas espalhadas pelo Brasil.

Nasci na Armação do Itapocorói, em Itajaí, Santa Catarina.

Naquela época, o pequeno terreno da  minha avó foi vendido para fazer parte da construção do Beto Carrero World. O parque ainda estava nascendo, com apenas suas primeiras estruturas, e nossa família precisou recomeçar a vida.

Foi quando nos mudamos para Florianópolis.

Meu pai começou a trabalhar como marinheiro no Iate Clube de Santa Catarina – Veleiros da Ilha.

Nós, filhos, íamos ajudá-lo no que fosse preciso. Limpávamos peixes, lavar o barco, carregávamos materiais, organizávamos equipamentos. Foi ali que o mar entrou definitivamente na minha vida.

Com o tempo deixei de ser apenas o filho do marinheiro.

Aprendi a cuidar de veleiros.

Depois me tornei marinheiro.

Mais tarde passei 16 anos como responsável por uma única embarcação, aprendendo na prática tudo sobre operação, manutenção, segurança e atendimento aos proprietários.

Essa experiência abriu portas.

Fui trabalhar na Spirit Ferretti, no Guarujá.

Passei pelo Iate Clube de Santos.

Trabalhei em embarcações da Ferretti em Angra dos Reis.

Conheci marinas, estaleiros e iates clubes em praticamente todo o litoral brasileiro.

Aprendi muito.

Mas quando deixei a Spirit Ferretti, no final de 2009, imaginei que voltaria para Florianópolis e encontraria novamente meu espaço.

A vida tinha outros planos.

Foi justamente nesse período que ouvi falar da inauguração de uma nova marina em Biguaçu.

Resolvi conhecer.

Foi ali que conheci o Luizinho, o Fábio e o Jackson Feuback.

Eles não abriram apenas as portas da marina.

Abriram as portas da vida deles para mim.

Desde 2010, a Marina Pier 33 passou a ser muito mais do que meu local de trabalho.

Ali entreguei embarcações.

Fiz reformas.

Realizei Due Diligence Naval.

Produzi centenas de laudos técnicos.

Vendi barcos.

Guardei embarcações de clientes.

Construí amizades.

Construí credibilidade.

Construí minha história.

Hoje moro no sul da Ilha de Florianópolis, de frente para a Praia do Campeche.

Todos os dias percorro cerca de 44 quilômetros para ir e mais 44 quilômetros para voltar.

Muita gente pergunta por que faço esse trajeto diariamente.

A resposta é simples.

Porque não estou indo apenas para uma marina.

Estou indo para um lugar onde sempre fui recebido de portas abertas.

E quem visita a Marina Pier 33 entende rapidamente o motivo.

É um rio extremamente protegido.

Sem mar batendo.

Sem ressaca.

Sem ondas.

Com excelente profundidade.

Possui restaurante, conveniência, abastecimento, estrutura para manutenção, áreas de refit e retrofit, embarcações na água, embarcações em seco e uma das maiores estruturas de movimentação de barcos da Grande Florianópolis.

Hoje a marina conta com aproximadamente dez carretas universais capazes de movimentar embarcações de cerca de 30 até 90 pés.

Até onde conheço, nenhuma outra marina da Grande Florianópolis possui uma estrutura semelhante.

Recebo clientes de vários estados do Brasil.

E quase todos têm a mesma reação quando entram na marina.

"Eu não imaginava que existia uma estrutura como essa em Biguaçu."

Isso demonstra o enorme potencial que a cidade ainda possui para crescer.

Quem navega sabe que não basta construir uma marina.

É preciso garantir um canal seguro e navegável.

Hoje a dragagem praticamente acontece de forma permanente para manter o acesso das embarcações.

Os futuros molhes contribuirão para reduzir o assoreamento, aumentar a segurança da navegação e oferecer mais estabilidade ao canal.

E isso beneficia toda a cadeia produtiva da náutica.

Um único barco movimenta Marinheiros, mecânicos, eletricistas, laminadores, carpinteiros navais, tapeceiros, empresas de motores, guinchos, transportadoras, marinas, restaurantes, postos de combustível, corretores e dezenas de outros profissionais.

Hoje esse futuro já começou.


A Marina Beira-Mar Norte, em Florianópolis, tambem já está em construção e representa um novo marco para a náutica catarinense.

Ao mesmo tempo, os molhes de Biguaçu também deixaram de ser apenas um projeto. A obra já é uma realidade e encontra-se em fase de licitação, um passo fundamental para transformar definitivamente a navegabilidade da região.

Na minha visão, esses dois investimentos se complementam.

Enquanto Florianópolis amplia sua capacidade para receber embarcações em uma marina urbana moderna e vaga molhada, Biguaçu tende a se consolidar como o grande centro de apoio náutico da Grande Florianópolis, concentrando serviços de manutenção, refit, retrofit, guarda em seco, logística, movimentação de embarcações e suporte técnico.

Não vejo essas duas cidades como concorrentes.

Vejo um ecossistema náutico integrado, onde Florianópolis e Biguaçu crescerão juntas, fortalecendo toda a Economia do Mar em Santa Catarina.

Essa combinação tem potencial para transformar a região em uma das maiores referências náuticas do Brasil.

Passei por marinas e iates clubes de norte a sul do país.

Trabalhei em alguns dos maiores empreendimentos náuticos brasileiros.

Mas aprendi que o verdadeiro valor de uma marina não está apenas nos píeres ou nas embarcações.

Está nas pessoas.

Foi isso que encontrei em Biguaçu.

E é por isso que acredito tanto no futuro desta cidade.

Hoje posso dizer, com gratidão, que encontrei em Biguaçu não apenas o lugar onde construí minha carreira.

Encontrei um lar.

"O mar muda paisagens. As pessoas mudam destinos. Biguaçu fez parte da mudança da minha história, e acredito que também fará parte da transformação da náutica catarinense."

Até o próximo artigo.

Ney Broker

38 anos de experiência no mercado náutico brasileiro

Broker • Survey • Skipper • Due Diligence Naval • Laudo Blindado 217 • Vistoria In Loco

WhatsApp: (48) 9 8461-1646

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