WILHELM GUSTLOFF: MAIS DE 9 MIL MORTOS NO BÁLTICO — O NAUFRÁGIO DE 1945 QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA COMO UMA DAS MAIORES TRAGÉDIAS MARÍTIMAS

Quando se fala em grandes naufrágios, o primeiro nome que normalmente vem à cabeça é o Titanic.

Mas, durante a Segunda Guerra Mundial, uma tragédia no Mar Báltico deixou um número de vítimas várias vezes maior.

Na noite de 30 de janeiro de 1945, o navio alemão Wilhelm Gustloff foi atingido por três torpedos disparados pelo submarino soviético S-13.

A bordo estavam milhares de pessoas.

Civis, mulheres, crianças, militares, feridos, integrantes da Marinha alemã e tripulantes tentavam deixar uma região já ameaçada pelo avanço soviético.

Estima-se que mais de 9 mil pessoas tenham morrido naquela noite.

O episódio é considerado uma das maiores tragédias marítimas já registradas e, em número de vítimas no afundamento de uma única embarcação, supera amplamente o Titanic.

UM NAVIO CONSTRUÍDO PARA O TURISMO

O Wilhelm Gustloff foi lançado em 1937.

Construído na Alemanha, tinha sido projetado originalmente como navio de passageiros para o programa Kraft durch Freude, ou “Força pela Alegria”, criado pelo regime nazista para oferecer viagens e atividades de lazer a trabalhadores alemães.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, sua função mudou.

O navio foi utilizado durante um período como navio-hospital e, posteriormente, passou a servir como alojamento para pessoal da Marinha alemã.

Em janeiro de 1945, já não operava como navio-hospital.

Sua última viagem faria parte de uma gigantesca operação de evacuação pelo Mar Báltico.

OPERAÇÃO HANNIBAL

No início de 1945, a situação da Alemanha no front oriental era crítica.

O Exército Vermelho avançava pela Prússia Oriental e por territórios ocupados, provocando um enorme deslocamento da população em direção ao oeste.

Para retirar civis e militares dessas regiões, a Alemanha iniciou a Operação Hannibal.

Foi uma das maiores operações de evacuação marítima da história.

Entre janeiro e maio de 1945, centenas de milhares de militares e civis foram transportados pelo Mar Báltico em diferentes embarcações.

O Wilhelm Gustloff estava entre elas.

MILHARES DE PESSOAS EMBARCARAM

No dia 30 de janeiro de 1945, milhares de pessoas aguardavam uma oportunidade de deixar o porto de Gotenhafen, atual Gdynia, na Polônia.

O Wilhelm Gustloff foi tomado por passageiros.

Os registros daquele período não permitem determinar com absoluta precisão quantas pessoas estavam a bordo, mas as estimativas chegam a aproximadamente 10 mil pessoas ou mais.

Grande parte era formada por civis que fugiam do avanço da guerra.

Havia também milhares de mulheres e crianças, além de aproximadamente mil integrantes e alunos ligados à Marinha alemã, militares feridos, auxiliares e tripulantes.

O navio estava muito acima da quantidade de passageiros para a qual havia sido originalmente projetado.

A ÚLTIMA VIAGEM

O Wilhelm Gustloff deixou Gotenhafen em 30 de janeiro de 1945.

Era inverno no Báltico.

Frio intenso, vento, neve e água em temperatura extremamente baixa tornavam qualquer emergência no mar ainda mais perigosa.

Durante a noite, o submarino soviético S-13, comandado por Alexander Marinesko, detectou o navio alemão.

Pouco depois das 21 horas, o submarino iniciou o ataque.

Quatro torpedos foram lançados.

Três atingiram o Wilhelm Gustloff.

Os impactos provocaram danos devastadores.

Um deles atingiu a região da proa.

Outro alcançou a área da piscina interna, onde estavam alojadas centenas de auxiliares femininas da Marinha.

O terceiro atingiu a região da casa de máquinas.

Em poucos minutos, energia, comunicação e sistemas internos começaram a falhar.

O CAOS A BORDO

Com milhares de pessoas tentando abandonar simultaneamente uma embarcação atingida por torpedos, a situação rapidamente se transformou em caos.

Passagens ficaram congestionadas.

Escadas ficaram bloqueadas.

Alguns equipamentos de salvamento estavam congelados ou difíceis de operar devido às condições do inverno.

Botes salva-vidas foram lançados, enquanto outras pessoas simplesmente saltavam para o mar.

O frio tornou-se tão mortal quanto o próprio naufrágio.

Na água gelada do Báltico, a hipotermia podia incapacitar uma pessoa rapidamente.

Muitos não tiveram sequer tempo de alcançar uma embarcação de salvamento.

Pouco mais de uma hora depois do ataque, o Wilhelm Gustloff desapareceu sob as águas.

MAIS DE 9 MIL MORTOS

O número exato de mortos nunca pôde ser determinado.

As estimativas mais aceitas indicam mais de 9 mil vítimas, com algumas fontes históricas situando o total próximo de 9.400 pessoas.

O Naval History and Heritage Command, órgão histórico da Marinha dos Estados Unidos, registra aproximadamente 9.343 mortos.

Entre as vítimas estavam milhares de crianças.

Pouco mais de mil pessoas conseguiram sobreviver ao naufrágio.

A dimensão da tragédia impressiona até hoje.

No Titanic, cerca de 1.500 pessoas morreram.

No Wilhelm Gustloff, a estimativa ultrapassa 9 mil.

São acontecimentos ocorridos em contextos completamente diferentes — um acidente em tempos de paz e um ataque durante uma guerra —, mas os números ajudam a compreender a escala do desastre ocorrido no Báltico.

O ATAQUE DO SUBMARINO SOVIÉTICO

O Wilhelm Gustloff transportava grande quantidade de civis, mas também levava pessoal militar alemão e fazia parte de uma operação naval em pleno conflito.

Por isso, o submarino soviético S-13 realizou o ataque considerando a embarcação um alvo inimigo.

Alexander Marinesko e sua tripulação continuaram operando no Báltico e, poucos dias depois, o mesmo submarino também afundaria outro grande navio alemão, o General von Steuben.

A guerra no Báltico produziu outros naufrágios com milhares de mortos.

Poucos, porém, alcançaram as dimensões do Wilhelm Gustloff.

UMA TRAGÉDIA POUCO CONHECIDA

Apesar do número extraordinário de vítimas, a história do Wilhelm Gustloff nunca alcançou mundialmente a mesma notoriedade do Titanic.

O contexto ajuda a explicar.

Era janeiro de 1945.

A Segunda Guerra Mundial já havia provocado dezenas de milhões de mortes.

Cidades inteiras estavam destruídas.

Milhões de pessoas se deslocavam pela Europa.

A Alemanha nazista caminhava para a derrota e os crimes praticados pelo regime estavam sendo revelados ao mundo.

No meio dessa gigantesca tragédia humana, o naufrágio do Wilhelm Gustloff acabou recebendo relativamente pouca atenção internacional.

Durante décadas, o episódio permaneceu conhecido principalmente na Alemanha e entre historiadores especializados na Segunda Guerra Mundial e na história marítima.

O MAR BÁLTICO GUARDA OS DESTROÇOS

Os destroços do Wilhelm Gustloff permanecem no fundo do Mar Báltico, ao largo da costa da atual Polônia.

Mais de oito décadas depois, aquele casco continua marcando o local onde milhares de vidas terminaram em uma única noite.

Não é necessário aumentar números ou criar versões dramáticas para contar essa história.

Os fatos já são suficientemente impressionantes.

Um navio originalmente construído para viagens de lazer.

Uma guerra chegando aos seus últimos meses.

Milhares de pessoas tentando escapar.

Um submarino soviético.

Três torpedos.

Águas praticamente congelantes.

E mais de 9 mil mortos.

Na noite de 30 de janeiro de 1945, o Wilhelm Gustloff entrou para a história como cenário de uma das maiores perdas de vidas já registradas no naufrágio de uma única embarcação.

Fontes consultadas: Naval History and Heritage Command — U.S. Navy; National WWII Museum; Smithsonian Magazine.

Até o próximo artigo!

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