terça-feira, 1 de janeiro de 2008

* O MARINHEIRO E A FREIRA SEM CABEÇA

O Colégio Gentil Bittencourt, localizado na Av. Magalhães Barata, antiga Independência, funcionou muito tempo como internato.

As internas do Gentil vinham de todas as partes do Estado e, às vezes, eram meninas da capital mesmo. Havia um grande número de freiras no colégio.

Conta-se que houve um tempo em que uma freirinha ficava sempre, lá na frente do colégio, olhando para o movimento da avenida. O colégio era cercado por um gramado muito bonito e ela ficava sentada nos bancos do jardim, ora lendo, ora meditando, ora entregue aos seus pensamentos...

Aquela avenida foi sempre muito movimentada. Passam muitas pessoas e muitos carros por lá. A freirinha não percebeu, mas havia um marinheiro que costumava passar em frente ao colégio e ficava olhando através da grade a beleza do jardim e a imponente edificação do colégio. Às vezes, ele sentava na grade, que cerca o terreno, e ficava horas a fio observando.

A freirinha, a partir de certo momento, deu-se conta da presença do marinheiro e passou a freqüentar o jardim nos mesmos horários em que o moço de farda branca e quepe azul-marinho ficava espreitando o jardim.

Os olhares se foram cruzando, os suspiros se tornaram mais profundos e demorados e o "friozinho" da coluna passou a perturbar o antigo sossego da menina antes destinada a tornar-se a "esposa" de Cristo.

À medida que o tempo passava, ia ficando mais difícil controlar as emoções e afastar-se dos jardins do colégio. Os votos de vida recolhida e devota ficavam tão mais pesados agora e ela cada vez mais angustiada e triste.

As colegas de internato perceberam que algo estava acontecendo com a noviça, mas a discrição da freirinha apaixonada não lhes permitia saber ao certo quais os seus reais problemas.

Dividida entre o dever cristão e a paixão amorosa, a freirinha foi ficando muito mais triste, até adoecer e morrer...

Diz-se que a freirinha morreu por amor ao marinheiro... E, hoje, fala-se da aparição de uma freira, sem cabeça, nos corredores do Colégio Gentil Bittencourt: trata-se da freira que perdeu a cabeça por amor...

História contada pela informante Mary Maia
Recolhida e adaptada por Maria do Socorro Simões

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