domingo, 19 de dezembro de 2010

* UM NATAL A BORDO QUE NUNCA ESQUECI

Todo ano quando se aproxima o Natal uma aventura, ou melhor, uma irresponsabilidade vem na minha mente. 

Em 24 de dezembro de 2001 eu voltava navegando a 10 nós de Porto Belo –SC  com uma lancha de 50 pés de baixo de chuva fina, ventos de 18 nós e ondas de dois metros. 

Meu objetivo era de chegar rápido e passar o natal em casa com minha família. Depois de algumas horas navegando eu estava a  traves da enseada de Tijucas e com rumo no canal norte de Florianópolis –SC, quando avistei uma embarcação de 16 pés a deriva na minha proa,  eu aproximei o barco com dificuldade a solta vento e notei que não tinha ninguém a bordo, foi ai que “ sem pensar”, coloquei os motores em ponto morto, amarrei a ponta de um cabo de 20 metros no cunho de popa da 50 e mergulhei com a outra ponta do cabo na boca e sai nadando em direção a 16 pés com o objetivo de amarrar e fazer o  reboque do barco para o ICSC - Veleiros da Ilha.

Minha Nossa!!! Quanto pulei e me vi no mar pensei, agora são dois barcos a deriva e um marinheiro metido a super herói no Mar.

A lancha de 16 pés pulava nas ondas igual aqueles cavalos de rodeios, por sorte o cabo da poita de onde o barco de 16 pés se soltou estava amarrado no cunho de proa e dentro da água e eu consegui amarrar a ponta do cabo no cabo da 16. Fui voltando pelo mesmo cabo que deixei amarrado no cunho da 50 e quando chequei perto a lancha não era mais 50 pés , ela parecia um navio de 200 pés visto de dentro da água, subindo e descendo as enormes  ondas e batendo o patamar de popa com força nas vagas entre as ondas.

Não sei como, mas felizmente consegui subir abordo da 50 sem um arranhão, assumir novamente o comando e coloquei o barco em deslocamento de volta no rumo. Só então, depois fiquei imaginado a besteira que tinha feito.


Eu já tinha comunicado Florianópolis Radio no canal 16 sobre o acontecido, que comunicou o iate clube e a capitania dos portos. Quando cheguei na marina, ( 5 horas depois da minha previsão de chegada ) as autoridades já estavam la e com ela muitos curiosos. Quando contei a “aventura” que foi fazer este resgate os “caras” só faltaram me prender, tamanha foi a minha irresponsabilidade. 

Pior mesmo foi quando o proprietário do barco foi localizado e chegou na marina. O cara parecia querer me matar, senti que ele tinha soltado o barco da poita de propósito para o barco ser levado pela frente fria, afundar e ele receber o seguro. 

Cara frio!!! Ele pegou a chave no seu bolso, ligou o motor,  encostou no posto, abasteceu o barco, pagou a conta, soltou os cabos e foi embora.

Nem Obrigado me disse! É mole.

Eu quase me meti em uma encrenca, tomei uma bronca da capitania e ainda corri o risco de perder a minha vida.

Hoje quando vejo um barco a deriva, retiro a posição no GPS e comunico a capitania dos portos ou a estação de radio mais próxima. Caso tenha pessoas a bordo eu até arrisco um reboque, mas primeiro vou tentar embarcá-las e se puder eu deixo o barco a deriva para empresas especializadas em resgate fazer a busca e principalmente o reboque.

Feliz Natal Galera! E em uma situação difícil no mar, pense rápido, mais pense bem antes de tomar alguma decisão .

Ney Broker

MSN: neybroker@hotmail.com

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