domingo, 1 de julho de 2007

* QUEM COMANDA AS LANCHAS SOFISTICADAS DO BRASIL?

UM GRUPO SELETO DE MARINHEIROS GANHA ATÉ R$ 5.000 POR MÊS PARA PILOTAR E CUIDAR DAS SOFISTICADAS LANCHAS QUE NAVEGAM EM NOSSAS AGUAS

O comentário “melhor que ter um barco é ter um amigo que tenha” já passou de moda. Hoje as empresas construtoras de lanchas luxuosas no Brasil oferecem cursos para marinheiros desse segmento, para que eles tenham o padrão exigido para lidar com equipamentos sofisticados. Vale a pena porque, para o dono, sua lancha significa somente um desfrute. Todos os preparativos para o passeio de fim de semana ficam por conta do marinheiro.

A remuneração mensal desses novos profissionais, capacitados a gerenciar todas as necessidades com relação ao barco, esta em torno de R$ 3.000 a R$ 5.000, variando de acordo com o tamanho da embarcação. O investimento na contratação é justificável. Como regra geral, quem admire uma lancha sofisticada tem pouco tempo para o lazer. 

A maior parte é o empresário bem sucedido, na faixa dos 45 anos, com a família, alto poder, aquisitivo, nível acadêmico superior e, geralmente, pouco tempo ou nenhum tempo para cuidar de uma embarcação. Por isso, os momentos de lazer devem ser realmente agradáveis, sem as preocupações típicas com o combustível, água, alimentação ou segurança durante uma travessia. O proprietário quer desfrutar e quem deve gerenciar tudo isso é o marinheiro.

O centro de treinamento para marinheiros de alta performance (CTMAP) elo náutico – Spirit Ferretti, que começou a funcionar em maio de 2002 nas instalações de Marina Verolme, em angra dos reis, surgiu da necessidade de formar mão - de - obra especializada para este publico seleto. As embarcações da Ferretti dispõem de sistemas sofisticados de automação e exigem conhecimentos específicos. Segundo o diretor do CTMAP, Roberto Paes Rocha, a região que se entende do Rio de Janeiro a Paraty tem cerca de 11.500 marinheiros, desde os que possuem titulo de capitão amador até os que conduzem nenhum certificado.

“Há uma grande diferença entre dirigir um barco comum e uma lanha Ferretti, que custa entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões. O marinheiro precisa estar consciente deste valor. No curso passamos os conhecimentos específicos necessários à condução de uma lancha de luxo. Por exemplo nos barcos normais, a manete é mecânica e se quero que o barco ande para frente, tenho que empurra-la realmente; na Ferretti, a manete é eletrônica e os motores são muitos potentes, se o marinheiro fizer o mesmo que esta acostumado, a lancha avançara sem controle, quebrando tudo”, explica. No CTMAP, os marinheiros também têm aulas de ética profissional, que inclui o comportamento que devem adotar durante o trabalho: como usar linguagens respeitosas, vestir-se adequadamente, ter cuidado com os equipamentos e o mobiliário e trabalhar com presteza e discrição.

Na Intermarine, a preparação dos marinheiros é feita no momento da entrega técnica do barco ao proprietário, que é sempre realizada no Guarujá, em São Paulo, independentemente de onde o barco ficara ancorado. Segundo Marco Antonio do Carmo, representante da Intermarine para o Rio, Minas Gerais e Espírito Santo, desta forma o proprietário ou a pessoa que ele envia é convidada a estar uns dois ou três dias no Guarujá, aprendendo com um marinheiro da empresa de utilização de todos os equipamentos básicos da lancha.

Depois, o marinheiro do proprietário e o da Intermarine fazem juntos a entrega no local designado. No trajeto, que pode durar de três a quatro dias, dependendo do destino, o aprendizado sobre a parte elétrica, hidráulica, funcionamento dos motores e tudo vai sendo aprofundado. Alem disso os manuais de funcionamento são muitos detalhados e a empresa disponibiliza o Intermarine Asistence para tirar duvidas e resolver qualquer problema por telefone ou, se necessário, enviar um técnico.

Eventualmente, a Intermarine organiza cursos sobre navegação eletrônica em parceria com a Ray Marine, Para ensinar o uso dos equipamentos GPS, Ploter, Radar, piloto automático e o novo motor eletrônico da Volvo, usado em algumas lanchas. Segundo Marco Antonio, em geral o Marinheiro indicado pelo proprietário para conduzir um barco como este já tem uma certa experiência e, pelo menos, o titulo de Mestre Amador Entretanto, ele nota muitas diferenças de qualificação entre os Marinheiros.

“Alguns tem essa profissão porque não conseguiram outra, mas muitos têm curso de mecânica, salvamento, primeiros socorros, enfim, investiram na própria formação”.

Os dados da Intermarine acusam que o índice de problemas com equipamentos decorrestes de uso inadequado caiu em 60% desde que a empresa passou a fazer uma entrega técnica mais detalhada.

“Melhoramos esse serviço porque identificamos que era fundamental para reduzir danos por má utilização. E deu certo”, Conta.

"Tenha especial atenção com a presença de água nos porões e com a eficiência dos sistemas de governo da embarcação"

Roberto Barros, durante uma aula no centro de treinamento, em Angra dos Reis – RJ, que forma mão – de – obra especializada para as lanchas luxuosas.

O DONO DO BARCO É COMO UM CONVIDADO

O comandante Gilmar Pires de Castro é considerado um dos Marinheiros mais experientes e com melhor formação do Brasil. Tem titulo de Capitão Amador pela Capitania dos Portos, começou a trabalhar com 15 anos como ajudante no Iate Clube do Rio de Janeiro, depois foi Mestre Amador em um barco de pesca oceânica e, finalmente, de volta a Angra dos Reis e já com o titulo de Capitão Amador, assumiu o controle de uma Benetti de 100 pés. Após seis anos, o proprietário indicou para o posto que ocupa a três anos, dirigindo uma Ferretti 65pés, avaliada em US$ 2 milhões.

Gilmar foi um dos primeiros convidados a fazer parte da CTMAP e atua um pouco como ajudante do curso.

"Esteja familiarizado com os equipamentos que a embarcação possui, inclusive os eletrônicos, obtendo desses os dados disponíveis para utilizá-los na sua totalidade" 

Marinheiro Gilmar na foto no comando de uma Spirit Ferretti 65 pés: 

Atualmente esta no comando de uma Spirit Ferretti 980.O Capitão Amador cuida de tudo para que o dono da lancha desfrute do passeio sem qualquer preocupação.

“Na realidade veio lapidado”, elogia Roberto Rocha. O elogio se confirma quando Gilmar conta a sua rotina: “O proprietário do barco em que trabalho se comporta como convidado. Ele avisa que vai chegar a uma determinada hora e quantas pessoas vêm, eu preparo uma boa recepção com lagosta, champanhe e saímos para o passeio. É curioso porque ele nunca reclama se tem uma cortina muito aberta, uma almofada fora do lugar, nada disso. É um convidado mesmo, agora eu tenho que ter a sensibilidade de ver se esta tudo a seu agrado ou não.”

Evidentemente, toda essa prontidão requer uma ampla preparação anterior para que o barco esteja em condição de zarpar no momento em que o cliente deseja. 

Rogério Augusto Apolinário de 45 anos e 28 de profissão, é especializado na condução de barcos luxuosos de passeio. Inicialmente trabalhava no Iate Clube de Santos, Litoral de Paulista, pilotando lanchas pequenas, mas foi se desenvolvendo e atualmente conduz uma FAIRLINE de 65 pés, de propriedade de um empresário de São Paulo. Experiente e atento em melhorar sempre, ele foi convidado recentemente pela FAIRLINE para fazer um curso na Inglaterra, onde esteve durante 15 dias estudando laminação, parte elétrica, segurança. Laqueação e um curso de motores que foi realizado a parte.

“Esse curso foi oferecido aos marinheiros da FAIRLINE porque alguns barcos chegaram a ter problemas pela falta de orientação dos profissionais. Os barcos precisavam de uma mão-de-obra realmente especializada”.Comenta Rogério.

Rogério já trabalhou com clientes de vários perfis. Há os proprietários que sabem tudo de navegação e, com estes, se o marinheiro falar alguma bobagem, vai ficar em má situação. E existem os que não tem idéia de como um barco funciona. Para Rogério, o importante é saber manter uma postura profissional, fazer a sua parte bem feita, independentemente dos conhecimentos do dono de barco.

“Tem gente que acha que se o proprietário também souber levar a lancha, ele vai ser mais exigente com o Marinheiro, mas não concordo. Às vezes quem sabe até nos ajuda e quem não entende nada exige que estejamos atentos, a mais coisas ainda”. Explica. 

Texto: Daniela Lessa
Fotos: Almir Lima
Matéria da Revista Mar & Mar numero 25 paginas 28,29 e 30
www.revistamaremar.com.br 

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