sábado, 11 de junho de 2011

* ALGUNS SEGREDOS QUE O SEU MARINHEIRO NUNCA LHE DIRÁ

Este mês quero publicar algo que nenhum Marinheiro tem coragem de fazer, ou seja, falar para seus patrões sobre algumas coisas erradas que acontecem a bordo.


Até eu que já estou acostumado a ouvir reclamações não acreditei o que alguns Marinheiros me contaram. Mas tenho certeza que esta postagem fará “alguns” proprietários de barcos refletirem e repensar o seu jeito navegar e de cuidar melhor do seu barco e do seu marinheiro.


* Conforme combinei com os Marinheiros, vou manter o nome deles em sigilo e também gostaria de deixar claro, que não temos nada contra nenhum dono de barco... é só um desabafo!


Abaixo algumas reclamações que ouvi em encontros com alguns Marinheiros:


01 - “Ney, estou constantemente sob pressão do meu patrão, ele não deixa encher o tanque de combustível, sempre levo menos combustível do que gostaria. Ele é miserável pensa sempre na economia, alega que o peso do combustível a bordo faz os motores gastarem mais. Por vezes, levamos apenas o suficiente para ir até uma praia próxima e voltar, e quanto encontramos tempestades ou mar revolto, corremos o risco de ficar sem combustível. Já aconteceu varias vezes de chegarmos com um motor só”. Marinheiro de uma 50 pés do Guaruja -SP


02 – “ Ney, na temporada meu patrão não me dá dinheiro para as diarias, muito menos intervalos para almoçar, ou tempo para comer. Acha que eu sou um robô. Vivo de beliscos com que eles deixam em cima da mesa e final do dia quando eles vão embora, tenho que comer com os marinheiros dos barcos vizinhos”.   Marinheiro de uma Offshore 45 pés em Angra dos Reis - RJ


03 – “ Ney, Só falo para os convidados do patrão o que eles precisam saber. Não digo os defeitos e falta de manutenção do barco. Posso meter medo neles e meu patrão me demitir. Mas faz mais de 3 anos que não trocamos nem o óleo dos motores”. Marinheiro de uma Carbrasmar 32 em Angra dos Reis -RJ


04 – “ Ney, Meu chefe chega no barco sem me avisar, ele adora me fazer surpresa. Só que sempre se da mal, porque o barco esta sempre bem cuidado e pronto para soltar as amarras”. Marinheiro de uma Spirit Ferretti 50 Guaruja -SP


05 – “ Ney, A verdade é que estamos exaustos. Os salários estão uma “ Merda” e ainda eles querem que trabalhamos com sorriso no rosto. Para você ter uma idéia em 1989 em ganhava o equivalente a 13 salários para trabalhar em uma 32 pés e tinha ajudante, hoje trabalho sozinho em uma intermarine 600 full e ganho pouco mais que 2 mil reais”. Comandante de uma Intermarine 600 full do Litoral de Sp.


06 – “ Ney, Algumas regras não fazem sentido para nós. Como o fato de ter que fazer churrasco e lavar o carro do patrão. Para você ter uma idéia do que faço, acordo as 05 da manhã durante a semana para levar o filho do chefe para a escola, volto e passo na padaria, compro pão, coloco a mesa do café, passo o dia fazendo feira e mercado com a patroa e pagando contas para o chefe em bancos. Fim de semana é que vou para a marina cuidar do barco. To guardando todos os comprovantes e testemunhas porque já estou nessa há alguns anos e quando for demitido, vou colocar meu chefe na justiça e conseguir uma bela aposentadoria”. Marinheiro em Santa Catarina


07 – “ Ney, sem sombra de duvida que as duas piores Marinas que existem “ para os Marinheiros” estão no Guaruja –SP, uma na Bertioga e outra no CING. La alguns associados e funcionários da Marina não gostam de Marinheiros, a gente trabalha sendo vigiado o tempo todo. Parece que estamos em um presídio de segurança máxima. Somos obrigados a alguns procedimentos que mexem com a nossa alto estima”. Marinheiro de uma 38 pés no Guaruja -SP


08 – “ Ney, Algumas Marinas se quer tem banheiro para os Marinheiros e quando tem é precária. Tem marinas que não tem banheiro, então, temos que usar o banheiro do barco, mesmo quando o barco esta no seco”. Marinheiro de uma 38 pés.


09 – “ Ney, Posso e quero ter um uniforme, mas não daqueles que vi os Marinheiros no Sul usando... Laranja em um ano e Azul Calçinha no ano seguinte é muita humilhação”. Marinheiro de uma 43 de Porto Belo -SC

10 - “ Ney, a pior coisa para mim é quando o convidado do chefe também tem barco e encosta do meu lado e fala que vai dar uma conferida no plano de navegação e se mete a mexer no GPS. Fico me mordendo por dentro para não joga-lo na água, afinal é amigo do chefe e temos que engolir”. Marinheiro de uma 580 full em Angra dos Reis -RJ

11 – “ Ney, com a facilidade de tirar uma habilitação para pilotar um barco de recreio é muito fácil conseguir uma vaga com salário la em baixo. Nenhum dono de barco esta disposto a pagar o que vale um Marinheiro experiente, ele pega qualquer um e se quer faz um teste de saúde ou de conhecimento com esse Marinheiro antes de contratá-lo. Por isso, peguei raiva desse mercado e sai da área náutica”. Capitão Amador - Florianópolis -SC

12 - “ Ney, uma das coisas que me deixa chateado, é quando atraco o barco na Marina depois de um dia maravilhoso de passeio e o chefe, sua familia e seus convidados saem do barco e se quer me dão tchau ou dizem obrigado”.  Marinheiro em Florianópolis -SC

13 – “ Ney, os Marinheiros não são todos iguais como alguns donos de barcos afirmam. Existe sim, alguns marinheiros que estragam a imagem dos bons marinheiros, mas a maioria ainda são os melhores” Marinheiro de Caioba - PR


14 – “ Ney, meu patrão adora se exibir para seus convidados, sempre que o final de tarde se aproximava eu o avisava que tínhamos que recolher a ancora e voltar para  a marina enquanto era dia. Ele me humilhava na frente dos convidados (alegando que eu estava com medo de navegar a noite). Eu sempre dizia para ele que não havia necessidade dessa navegação noturna, pois eles poderiam continuar a festa atracado no cais da Marina. Ele nunca me deu ouvidos, isso até o dia que subimos com o barco em uma ilha. Ele quem estava no comando e quase matou todo mundo a bordo, pois quando amanheceu o dia vimos que a pouco menos de 10 metros para o lado tinha um paredão de pedra”. Comandante de uma 50 pés em Angra dos Reis - RJ

15 – “ Ney, uma coisa é certa todo Marinheiro deveria comunicar as pessoas abordo sobre onde esta e como usar o colete salva vidas. Mas se fizermos isto, acabamos com o passeio, pois eles ficam com medo de navegar com a gente”. Marinheiro de uma embarcação de Florianopolis -SC

16 – “ Ney, o dono do barco deve ter a consciência que ele somente é o dono do barco e não da navegação, nós se preparamos para isso... pô deixa o controle da situação conosco”. Marinheiro de Ilha Bella -SP

17 – “ Ney, temos sempre que nos preparar em terra para sair para o mar e muitos donos de barcos não levam isso a serio. Economia que as vezes sai caro. O meu chefe só sentiu falta de uma organização e uma caixa de primeiros socorros a bordo, somente quando encalhamos o barco no lago do Candinho a noite no canal de Bertioga – SP,  os “ pernilongos e borrachudos ‘ atacaram a gente , “ estavam nos comendo vivos” . Foi terrível,e por falta de um repelente a bordo as mulheres, as crianças e até os marmanjos chegavam a chorar de tantas picadas dos chamados , mosquitos pólvoras. Tive que passar óleo diesel no corpo deles para amenizar o ataque desses bichinhos e aguardar a maré subir para sairmos de la”. foi terrivél. Marinheiro de uma 46 pés na Bertioga -SP

18 – “ Ney, toda criança, pessoa que não sabe nadar ou animal de estimação que subir a bordo do barco para um passeio, deve imediatamente colocar o colete salva vidas ”.Marinheiro de uma 380 full do Guaruja -SP


19 – “ Ney, muitas pessoas ainda tem medo do Mar. Meu patrão sempre traz um desses. É praticamente um idiota, pois colocar os amigos a bordo e fica dando “ cavalinho de pau” para se exibir e mostrar que a lancha não vira. É irritante!!! Marinheiro de uma Offshore 55 em Angra dos Reis -RJ

20 – “ Ney, algumas pessoas me perguntam logo que sobem a bordo “Qual a pior coisa que peguei no Mar ?” eu nem falo porque se falar da época que eu era embarcado na pesca e das ondas gigantes que peguei no litoral do Rio Grande do Sul eles desistem do passeio e do mar. (risos)”. Marinheiro de uma Ferretti 55 de Porto Bello -SC

21 – “ Ney, o barco que eu trabalhava já foi atingido por um relâmpago no canal sul de Florianópolis – SC. Foi horrível. Ouvi um estouro e tudo clareou. Graças a Deus ninguém se feriu. Mas fiquei P. da vida com meu chefe que não me disse nem obrigado por eu trazerem todos a salvo para a marina. Marinheiro e mestre amador de uma Carbrasmar 41 em Florianópolis –SC.


22 – “ Ney, quando navegamos a noite, com mau tempo ou por áreas perigosas e desconhecidas, mesmo com nossa experiência, com o apoio de cartas náuticas, do radar e do GPS, devemos obrigar todos a bordo a colocar os coletes salva vidas”. Marinheiro e comandante de uma 76 pés no Rio de Janeiro.


23 – “ Ney, A bebida alcoólica abordo deveria ser proibida para todos sem exceção, até para os convidados, pois eles perdem a noção da realidade e fazem um monte de besteira abordo”. Marinheiro de uma Offshore 45 pés no Guaruja -SP


24 – “ Ney, para mim o local mais perigoso para se navegar e aquela área que você navega com mais freqüência. Seu chefe sempre quer pegar no comando. E ele volta e meia relaxa e fica segurando o volante, não olha pra frente e fica conversando com os amigos. É ai que mora o perigo”. Marinheiro de uma 68 em Angra dos Reis -RJ

25 – “ Ney, Sempre falo para o meu patrão mudar o seu habito e sair mais cedo da Marina para passear e voltar antes de escurecer, pois aqui as trovoadas ocorrem com mais freqüência no período da tarde. Não adianta, sempre saímos perto da tarde e pegamos quase todas a as trovoadas de verão”. Marinheiro em Florianopolis -SC


26 – “ Ney, Por favor, comunique o meu patrão que ele é apenas o dono do barco e não do mar”. Marinheiro de um Offshore com 3 motores.


27 – “ Ney, você pensa que é só marinheiro que faz fofoca? nós estamos ali no cockpit, no fly, na proa e em todos os  lugares do barco ao lado do patrão e dos convidados e escutamos cada coisa. Por vezes, já até pensei em fazer um Blog e publicar tudo que escuto. Claro que não sou louco, mas acredite os caras tem tempo até para falar do marinheiro do vizinho. Marinheiro de uma Oceanic 36 no litoral de São Paulo- SP


28 – “ Ney, Estou  cansado de ouvir besteiras do meu patrão que sai para navegar sempre do iate até a mesma enseada que fica a duas milhas e diz ser um ótimo navegador, quero ver quando ele sair para navegar de verdade, a coisa fica feia e ele ter que segurar o comando por horas sem poder ir no banheiro”. Marinheiro de um Veleiro de 42 pés no litoral norte de São Paulo.


29 – “ Ney, o meu patrão é viciado no seu celular moderno com acesso a internet, gps, rede social, etc. e quando o barco se afasta da costa e o aparelho perde sinal ele fica desesperado e pede para se aproximar da terra ou voltar para a marina”. Acabando com meu rumo e com o passeio. Marinheiro de uma 45 pés em Salvador - BA

30 – “ Ney, não queremos ser o desmancha prazer ao querer voltar com o barco para a marina. Só quero que meu chefe me ousa e saiba a hora certa de voltar.” Marinheiro de uma 600 full de Ilha Bella.


Marinheiro não vive sem barco, sem Mar e sem patrão. Patrão não vive sem o prazer de navegar. O negocio é resolver essas pendencias com uma boa conversa, mas escolha a hora certa. (risos)


Um abraço e boas navegações para ambos

Ney Broker
E-mail e MSN: neybroker@hotmail.com

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2 comentários:

Anônimo disse...

Ney meu marido trabalha como marinheiro a 30 anos e com esse patrao ele está a 9 anos,tá registrado como empregado domestico a ferret tem 55 pés, tinha um ajudante que mais atrapalhava do que trabalhava. o patrao mandou ele embora e meu marido sequer teve um aumento de salario,ou seja ta sozinho e vez em quando sobra pra mim a esposa,e o homem nao da nada de gorjeta,estou solidaria com outros marinheiros e suas esposas que sei sofrem junto com seus maridos.um abraço a todos e vamos torcer pra existir uma lei pros marinheiros serem respeitados.chgilha@hotmail.com

carome disse...
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