Muita gente acredita que, por estar comprando uma embarcação nova, direto do estaleiro, não precisa de inspeção técnica independente.
Eu penso diferente.
Mesmo em barco zero, a vistoria deveria acontecer ainda dentro do estaleiro, antes da entrega final. Não para criar conflito, mas para proteger todos os envolvidos: comprador, revendedor e o próprio estaleiro.
Um bom profissional olha de fora. Ele não está envolvido na correria da produção, no prazo de entrega, na pressão comercial ou no vício de olhar todo dia para o mesmo barco.
Às vezes, quem está dentro do processo deixa passar detalhes. Uma vedação mal feita, uma instalação elétrica fora do padrão, um acabamento mal executado, um equipamento não testado, uma infiltração futura nascendo ali.
E isso não é vergonha para estaleiro nenhum. Pelo contrário.
Quando trabalhei na Spirit Ferretti, eu era pago para achar defeito. O dono do estaleiro queria que alguém encontrasse o problema antes do cliente ou do marinheiro encontrar.
Foi ali que aprendi a ser chato com vistoria.
E no mercado náutico acontece algo curioso: quando o proprietário está vendendo, ele nem sempre gosta do meu trabalho. Mas quando ele vira comprador, ele lembra de mim e diz:
“Ney, quero que você olhe esse barco com o mesmo rigor que fez no meu. Ou até mais.”
É por isso que sempre digo:
Antes de comprar uma embarcação, nova ou usada, contrate um profissional da sua confiança.
Mesmo que não seja comigo.
O barco pode estar bonito na foto, brilhando no salão náutico ou recém-saído do estaleiro. Mas quem compra precisa de segurança técnica, não apenas de emoção.
Vistoria não atrapalha venda.
Vistoria protege a venda.
Ney Broker
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38 anos de experiência no mercado náutico
Due Diligence Naval • Laudo Blindado 217 Itens
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