Sou de uma época em que quem tinha barco era, normalmente, uma família de alto poder aquisitivo. E, curiosamente, quase nenhuma embarcação tinha churrasqueira. No dia anterior ao passeio, a cozinha da casa já começava a trabalhar. A empregada preparava tudo. Às vezes era uma paella, uma macarronada de camarão, um risoto de frutos do mar, tortas, tábuas de frios, patês caseiros, sanduíches, camarão ao bafo, mexilhão, petiscos... Tudo pronto. Na manhã seguinte, o motorista levava as caixas térmicas para o barco. O marinheiro não era churrasqueiro. Ele apenas servia a comida na hora certa. E sobrava tempo para fazer aquilo que um barco nasceu para fazer: navegar. A gente saía do ponto A sem destino fixo. Contornava uma ponta, visitava uma ilha, fundeava para um mergulho, levantava a âncora, seguia para outra enseada, conhecia uma praia diferente e passava o dia explorando. Ninguém tinha pressa para chegar. O passeio era a navegação. Durante 16 anos da minha carreira eu prat...